Revista Farmacêutica Kairos - Seções - Setor

Empreendedorismo

O empreendedorismo é considerado hoje um fenômeno global e para o profissional se destacar em um mercado cada vez mais competitivo, é necessário apresentar um perfil empreendedor. Vamos ver que o conceito de empreendedorismo nem sempre reflete o segmento farmacêutico e seus profissionais, onde muitos acreditam que ser empreendedor é apenas uma opção. O texto também aborda a importância do perfil empreendedor para o mercado e para a categoria farmacêutica.

Nas Universidades espalhadas pelo Brasil o tema empreendedorismo pouco é abordado no curso de farmácia. Como teoricamente aprendemos a profissão na faculdade saem para o mercado centenas de profissionais sem o perfil adequado. O mercado pede um profissional com capacidade de inovar continuamente, que traz ideias e que revolucionem a maneira de administrar as decisões que trarão o sucesso para a organização.

O empreendedor é a pessoa que inicia e/ou opera um negócio para realizar uma ideia ou projeto pessoal assumindo riscos e responsabilidades e inovando continuamente. Essa definição envolve não apenas os fundadores de empresas, mas os membros da segunda ou terceira geração de empresas familiares e os gerentes-proprietários, que compram empresas já existentes de seus fundadores. Mas o espírito empreendedor está também presente em todas as pessoas que mesmo sem fundarem uma empresa ou iniciarem seus próprios negócios, estão preocupadas e focalizadas em assumir riscos e inovar continuamente.

Entende-se que para o empreendedor da área de farmácia seja imprescindível desenvolver a habilidade chamada de conhecimento do ramo, pois o setor não pode admitir erros técnicos.

O empreendedor farmacêutico deve apresentar conhecimentos técnicos ou conhecimento do ramo, a respeito do seu negócio, no caso a revenda de medicamentos, portanto deve conhecer a fórmula de composição do medicamento, e para que o mesmo é indicado, se pode ou não ser vendido sem prescrição médica.

Deve ainda saber tomar os cuidados necessários com os medicamentos, sem descuidar da observância das normas sanitárias relativas ao ambiente e às condições de armazenamento, deve-se atentar para os prazos de validade e as características macroscópicas dos produtos, visando identificar possíveis variações que indiquem evidente alteração ou degradação do produto. Relacionamento interpessoal é uma habilidade que está relacionada aos conceitos de empreendedorismo e entende-se como a comunicação que o empreendedor deve desenvolver com a rede de contatos, no caso, fornecedores e clientes.

Planejamento e organização são habilidades empreendedoras que se referem a aspectos legais (registros na Junta Comercial, Receita Federal, Secretaria da Fazenda, Prefeitura do Município, INSS, Ministério da Saúde, Conselho Regional de Farmácia, obtenção dos Alvarás da Vigilância Sanitária e da ANVISA e demais documentos) para o funcionamento de uma farmácia.

E o empreendedor do ramo farmacêutico deve ainda observar os objetos que serão necessários para o funcionamento de uma farmácia, como: material de expediente, definição de pessoal, serviços de terceiros, infraestrutura tais como energia elétrica, telefone, internet, despesas jurídicas, com gráfica e outras. Orientação por metas e objetivos refere-se a: observar os procedimentos operacionais padrões de autoinspeção, aplicados na avaliação da qualidade das ações internas e externas da unidade. Esses procedimentos são objeto do programa de capacitação do pessoal, envolvendo tanto os farmacêuticos como os demais profissionais que atuam nas unidades do Programa esão distribuídos pela Coordenadoria de Monitoramento do Programa.

São abrangidos procedimentos que visam avaliar o desempenho das atividades, a capacitação do pessoal e a satisfação dos usuários, as autoinspeções devem ocorrer com a periodicidade indicada para cada um dos procedimentos padrões citados. Seus resultados devem ser registrados e encaminhados na forma indicada nos mesmos.

Porém, o referido empresário não gosta de lidar com fracasso e não desenvolveu muita aptidão para buscar informações e conhecimentos que fogem da sua rotina. Esse empresário atribui o sucesso de seu empreendimento à confiança que busca oferecer para o consumidor.

Todas as definições de empreendedorismo possuem verbos, ou seja, exprimem ações e todas com foco em resultado. É importante refletir onde o desenvolvimento econômico e a atenção à saúde se encontram na farmácia ou drogaria. Um bom resultado financeiro com certeza é fruto de uma boa administração e de um bom atendimento. O farmacêutico participa ativamente do processo de atender as necessidades dos clientes e com isso traz melhorias para a vida do cliente e para a empresa.

Entre as várias propriedades e peculiaridades que diferem os seres humanos dos demais, o poder da escolha é uma das grandes diferenças. Ao se inscrever no vestibular para o curso de farmácia o indivíduo fez uma escolha.

Uma das formas de se adquirir algumas das muitas competências essenciais é frequentar um curso de nível técnico e/ ou superior.

Todos os dias nós acordamos e temos pelo menos 12 horas de incalculáveis opções de escolhas. De simples escolhas, que eventualmente passam despercebidas a decisões que requerem análises mais complexas. Que horas acordar, ficar dormindo e chegar atrasado, o quê comer, comer demais ou não comer são exemplos de escolhas simples.

Podemos nos comprometer ao máximo com a empresa que escolhemos trabalhar ou viver dependendo do resultado de outras pessoas para “melhorar” a farmácia/ drogaria ou o atendimento prestado. Este é um exemplo de escolha complexa. Temos opções, escolhas e consequentemente, resultados e consequências.

Os caminhos que devemos percorrer para obter resultado podem ser previstos ou planejados, mas problemas não podem ser solucionados a não ser que seja definido um resultado. Qual o resultado que a categoria espera obter?

Uma das definições de insanidade é fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Um famoso escritor infantil, Lewis Carroll, no livro Alice no país das maravilhas, escreveu um primoroso dialogo entre Alice e o Gato:

“_ Pode me dizer, por favor, que caminho devo pegar? - disse Alice.

_ Depende de para onde você quer ir - disse o gato.

_ Não me importa muito onde... - disse Alice.

_ Então não importa o caminho que você pegue - disse o gato”.

Explicação do texto acima: se você não sabe para onde vai, como pretende chegar?

O farmacêutico pode ser empreendedor na sua área, como dono ou sócio de farmácia ou drogaria ou no desenvolvimento de produtos ou qualquer outra área da farmácia.

Para formar empreendedores advindos do curso de farmácia com empreendimento na área, julga-se necessário a inserção e ou a ampliação do tema empreendedorismo enquanto disciplina nos cursos de graduação em Farmácia.

Será que nascemos com a vocação para a farmácia? O pensador Aristóteles definiu vocação de uma forma especial: “Onde se cruzam os teus talentos com as necessidades do mundo, aí está a tua vocação”.

Os talentos podem ser desenvolvidos da mesma forma que um empreendedor pode ser. As pessoas não nascem farmacêuticos, médicos ou dentistas... se tornam (ou se transformam).

Em vários estudos feitos com empreendedores sobre as características às quais atribuíam o seu sucesso, as que mais se destacaram foram á perseverança, o desejo e vontade de traçar o rumo da sua vida, a competitividade, a autoestima, o forte desejo de vencer, a autoconfiança e a flexibilidade. Curiosamente, a vontade de ganhar muito dinheiro, as competências de gestão ou o desejo de poder costumam ocupar os últimos lugares das listas…

O mercado está repleto de profissionais que primeiro buscam a valorização e depois pretendem desenvolver um trabalho de excelência.

Ao observar verdadeiros empreendedores, é possível identificar um conjunto de aspectos:

1. Os empreendedores são peritos em identificar, explorar e comercializar oportunidades.

2. São exímios na arte de criar (novos produtos, serviços ou processos).

3. Conseguem pensar “fora do quadrado”: a maioria das pessoas, por temer o insucesso e ser avessa ao risco, tem dificuldade em considerar novas formas de abordar problemas e perspectivar a realidade.

4. Pensam de forma diferente: os empreendedores têm uma perspectiva diferente das coisas; adivinham problemas que os outros não vêm ou que ainda nem existem; descobrem soluções antes mesmo de outros sentirem as necessidades.

5. Veem o que outros não enxergam: o empreendedor vê oportunidades que escapam aos outros, ou a que os outros não atribuem relevância.

6. Gostam de assumir riscos: acreditam nos seus palpites e seguem-nos.

7. Os empreendedores competem consigo próprios e acreditam que o sucesso ou fracasso dependem apenas das próprias atitudes. Na sua maioria não desistem e nunca param de lutar pelo sucesso.

8. Aceitam o insucesso: embora nenhum empreendedor goste de falhar, sabe que a possibilidade de fracassar é inerente ao risco que qualquer atividade empreendedora comporta. O insucesso é encarado como uma possibilidade de aprender e evoluir e previne futuros fracassos.

9. Observam o que os rodeia: a grande maioria das ideias e inovações bem sucedidas foram desenvolvidas a partir de uma realidade próxima ao empreendedor – no âmbito profissional, familiar, de lazer.

10. Os empreendedores nunca se aposentam…

Se tornar um empreendedor é um processo complexo e exige um pouco mais do que atitude. A maioria das pessoas acha que atitude é ação, mas atitude é racionalizar, sentir e externar. A atitude não é um processo externo, é algo interno, que deve ocorrer de dentro para fora. E entre a conscientização e a ação, necessariamente deverá estar presente o sentimento como elo de ligação. É preciso sentir a necessidade de fazer e as ações acontecem.

O interessante é que moldamos nossas atitudes a partir daqueles com quem convivemos, admiramos, respeitamos e até tememos. É comum reproduzimos muitas das atitudes dos nossos pais, amigos, gerentes ou pessoas de nosso círculo de relacionamento. Para garantir as atitudes pró-ativas é melhor se cercar de pessoas pró-ativas.

Pessoas dotadas de uma atitude pró-ativas têm por princípio uma grande capacidade de iniciativa. Seja um problema ou uma oportunidade, tomam conhecimento dos fatos, sentem a necessidade de uma ação e assumem um comportamento pró-ativo para solucionar ou aproveitar a condição favorável.

Pessoas assim conseguem combater o grande vilão da hesitação, o grande inimigo que faz adiar projetos, cancelar investimentos e protelar decisões. Ao combater a hesitação e correr mais riscos é possível experimentar mais insucessos, mas com certeza aumentamos as chances para o sucesso.

Não basta só vencer a hesitação e tomar a iniciativa, é preciso envolver todos no mesmo objetivo. Esta é a verdadeira diferença entre o poder e a autoridade. O líder com poder, manda e todos precisam obedecer. O líder que possui autoridade consegue envolver seus colaboradores e as atitudes acontecem porque eles acreditam.

Ser empreendedor é inovar e quando se trata do segmento farmacêutico as inovações precisam obedecer algumas regras. Todo processo de inovação é carregado de incertezas, pois o futuro é parcialmente imprevisível. No varejo farmacêutico todo processo de inovação é cercado de legislações e o que não é previsto na legislação pode ter muitas interpretações. Para o mercado inovar é um processo contínuo da humanidade e das empresas e está ligado a sobrevivência. Fazer diferente e fazer a diferença são as ações do momento para farmácias e drogarias.

A inovação pode ser definida também, como fazer mais com menos recursos. Seria permitir ganhos de eficiência em processos. A inovação quando cria aumento de competitividade pode ser considerada um fator fundamental no crescimento econômico de uma sociedade.

A inovação é fundamental, pois através dela as organizações tornam-se capazes de gerar resultados positivos de maneira contínua e, assim sobreviverem nos seus mercados. Mas, na maioria dos casos, as farmácias e drogarias usam os concorrentes como base de referência para as suas próprias iniciativas de inovação. Com isso, as estratégias competitivas acabam sendo muito parecidas dentro de um mesmo mercado.

A inovação pode ocorrer por meio de uma ação perfeitamente planejada ou por um simples acaso. No entanto, verifica-se que poucas inovações brotam do acaso. A maior parte das inovações, em especial as mais bem-sucedidas, resultam de uma busca consciente e intencional de oportunidades para inovar, dentro e fora da empresa.

O farmacêutico que “inova” demais enfrenta vários desafios. A inovação pode gerar inicialmente um desconforto nas pessoas envolvidas. O resultado pode ser muitas vezes traduzidos na fórmula: desconforto + empenho + gestão = melhoria nos resultados.

O exemplo do transtorno inicial que uma inovação pode trazer é a troca de sistema (software). Por algumas semanas parece que nada está certo (e que você vai enlouquecer), mas depois que os benefícios do novo sistema são percebidos, tudo volta ao normal.

O profissional farmacêutico pode decidir ser ou não empreendedor, pois as escolhas são individuais, mas o mercado através de seus clientes, já decidiu o perfil de profissional que vai precisar.

“A maior descoberta da minha geração é que qualquer ser humano pode mudar de vida, mudando de atitude”. (William James)

Dra. Giovanna Dimitrov (CRF SP 15.794) é farmacêutica e consultora www.marcad.com.br

 

Edição Atual

Siga a Kairos nas Redes Sociais

Siga nosso Twiter Curtir nosso Facebook
Home Kairos Revista Farmacêutica